Astronomia (noções)

Identificação dos astros

Era uma estrelinha assim, branquinha…

O Sol e a Lua são velhos conhecidos de todos nós. A identificação de estrelas e planetas requer algum treino. Procure familiarizar-se com um grupo de estrelas de cada vez. Com o tempo você vai aprender a identificar as constelações e nestas as estrelas usadas na navegação.

Navegador light permite a navegação usando 4 planetas – Vênus, Júpiter, Saturno e Marte – e 59 estrelas. As estrelas usadas pelo programa são aquelas de maior brilho. Abaixo está uma lista destas estrelas e as constelações em que elas se encontram. A lista está ordenada por brilho decrescente, sendo Sirius a mais brilhante seguida de Canopus e assim por diante.

Estrela            Constelação

Sirius       Cão Maior

Canopus                 Carina

Rigil Kent                Centauro

Vega       Lira

Capella                   Auriga

Betelgeuse             Orion

Arcturus                 Boieiro

Rigel        Orion

Procyon          Cão Menor

Achernar                Eridano

Hadar           Centauro

Altair              Águia

Aldebaran              Touro

Acrux           Cruzeiro do Sul

Antares                  Escorpião

Pollux              Gêmeos

Spica           Virgem

Fomalhaut             Peixe Austral

Deneb                     Cisne

Regulus                  Leão

Gacrux                    Cruzeiro do Sul

Bellatrix       Orion

Shaula                    Escorpião

Miaplacides           Carina (Falsa Cruz)

Outras estrelas (também ordenadas por brilho decrescente):

Adhara, Alioth, Avior, Alnilam, Elnath, Atria, Mirfak, Alkaid, Castor, Dubhe, Kaus Austr., Nunki, Rosalhague, Peacock, Al Na’ir, Alphard, Alpheratz, Diphda, Hamal, Kochab, Suhail, Denebola, Menkent, Alphecca, Ankaa, Eltanin, Enif, Schedar, Markab, Sabik, Gienah, Menkar, Zubenelgen, Acamar, Albireo.

Uma maneira conveniente de identificar as estrelas é usar uma carta celeste. As cartas celestes são projeções do céu centradas nos polos celestes – Norte ou Sul. Infelizmente apenas as estrelas muito brilhantes aparecem com os nomes na Carta Celeste.

Os planetas se movem lentamente durante o ano sobre a Eclíptica, passando pelas constelações do Zodíaco. Para determinar a posição de um planeta na Eclíptica, basta obter sua Ascensão Reta, existindo programas e tabelas para o efeito. A carta celeste tem uma escala de Ascensão Reta em horas. Os planetas são de modo geral mais brilhantes que as estrelas, sendo fáceis de identificar uma vez sabida a sua posição. Vênus é o mais brilhante e orbita sempre próximo ao Sol, sendo visível apenas nos crepúsculos. Júpiter é também um planeta brilhante. Abaixo alguns programas que pode obter para o computador ou para um Telemovel:

1 – Stellarium

Talvez o melhor software de astronomia disponível, o Stellarium é um catálogo que vem com um banco de dados de 600 mil estrelas, mas pode ser ampliado para mais de 177 milhões. Com ele você consegue ter uma imagem do céu noturno, de qualquer lugar do mundo, em qualquer momento, no passado e no futuro.

Programa grátis para computador em:  https://stellarium.org

2 – ISS Detector

A Estação Espacial Internacional é um dos grandes feitos tecnológicos da Humanidade. Do tamanho de um campo de futebol e tão organizada quanto um apartamento de solteiro, ela circula a Terra a 28000 quilômetros por hora, e seus painéis solares e radiadores a tornam mais reflexiva do que um filósofo bêbado depois de levar um potapé no traseiro. Por causa disso, depois do Sol e da Lua a ISS é o objeto mais brilhante no céu, ofuscando até mesmo Júpiter, e exceto raras ocasiões, Vênus.

Só há um problema: A ISS não passa sempre sobre os mesmos lugares, pois assim como a Lusitana, a Terra gira, e ainda há o problema da inclinação, e o rotineiramente esquecido facto de que o planeta ser redondo. Assim só conseguimos ver a Estação Espacial por um pequeno período, e mesmo assim, se estiver numa posição acima do horizonte. Essas passagens levam entre 1 e 6 minutos.

Está disponível na App Store e no Google Play.

3 – Sun Position

Não é muito difícil achar o Sol. Ele nasce no Leste e põe-se no Oeste, se observar o contrário, então está em Vênus, e a temperatura de chumbo derretido ar de ácido sulfúrico e pressão de 90 atmosferas deveriam ser preocupantes, mais do que achar o Sol, mas para quem gosta de astronomia em lugares mais amenos, o Sun Position é uma bela pequena app.

Sun Position está disponível no Google Play

4 – Universe Sandbox

Precisamos falar sobre ambição. É o que comanda a mente dos criadores desse programa maravilhoso. O Universe Sandbox é capaz de simular tudo o que imaginar em termos de astronomia.

A Lua colidindo com a Terra? Fácil. Trocar o Sol por um buraco negro? Só pedir. Atingir Júpiter com um laser na escala de zetawatts de potência? Sem problemas.

O Universe Sandbox é pago, vale cada centavo, tem pra Linux Windows e Mac, e pode ser encontrado no site oficial.

5 – Eyes of the Solar System

A NASA é sem sombra de dúvida a maior produtora de conhecimento no campo da astronomia, mas acumular conhecimento é fácil, qualquer jornaleiro faz isso. Complicado é  ter acesso a esse conhecimento de forma eficiente, e torná-lo público. A maior parte dessa informação está pulverizada em milhares de sites, mas alguns projetos tentam concentrar esses dados de forma mais… visual e interativa.

O Eyes of the Solar System é totalmente gratuito, pode-se acessar por dispositivos mobile, ou baixado e instalado para Mac e PC, direto do site oficial na NASA.

Existem muitos mais programas de astronomia, talvez milhares é só uma disposição para fazer uma busca mais aturada.

Algumas Constelações ( dado que grande parte do artigo vem de informação brasileira, a informação preferencial refere-se ao hemisfério sul)

O Polo Celeste, como já vimos, é o ponto fixo do céu em torno do qual giram os astros. Na figura que segue podemos ver como se moveriam dois astros em torno de um Polo ao longo de algumas horas.

De qualquer posição na Terra, poderemos avistar apenas um dos Polos Celestes. Olhando para o céu no hemisfério Sul, você verá o Polo Sul Celeste na direção Sul, a uma altura igual à sua latitude. Se você está a uma latitude de 35°S por exemplo, o Polo Sul Celeste estará na direção Sul, a uma altura de 35°.

Uma constelação muito conhecida que está próxima ao Polo Sul é o Cruzeiro do Sul. A parte maior da cruz aponta aproximadamente para o Polo Sul Celeste. Gacrux é a estrela do Cruzeiro mais afastada do Polo Sul e Acrux a mais próxima. Formando um alinhamento com Gacrux estão as duas estrelas mais brilhantes da constelação do Centauro: Hadar e Rigil Kentauro.

Estas estrelas são muito boas para a navegação no hemisfério Sul pois são quase sempre visíveis.

Outro grupo de estrelas de fácil identificação é Orion. Orion está situado sobre o Equador Celeste, sendo visível de praticamente toda a Terra no início e fim do ano. No seu centro estão as Três Marias. A Maria “do meio” é chamada Alnilam. Em torno delas estão Rigel, Betelgeuse e Bellatrix.

Betelgeuse é uma estrela do tipo supergigante vermelha. Seu diâmetro é 300 vezes superior ao do Sol e está a 400 anos luz da Terra. Seu brilho é variável. A sua coloração avermelhada deve-se à temperatura relativamente baixa, para uma estrela, de sua superfície (cerca de 3000°K). Rigel, a outra estrela forte de Orion, tem cor branco-azulada. Rigel, na verdade é uma estrela dupla. Sua companheira, contudo, só pode ser vista com telescópio.

Na constelação de Cão maior, próxima a Orion; está Sirius, a estrela mais brilhante de todo o céu. O grande brilho de Sirius se deve ao fato de ela emitir 20 vezes mais luz que o Sol e estar relativamente próxima à Terra (cerca de 9 anos luz). De facto, Sírius é duas vezes mais brilhante que a segunda estrela mais brilhante, Canopus. Sirius é branca.

Escorpião é também uma constelação de formato peculiar e facilmente reconhecida. Situa-se no hemisfério Sul celeste. Antares é a estrela de maior brilho dessa constelação, tendo coloração visivelmente avermelhada. Shaula fica no outro extremo do escorpião.

No hemisfério Norte talvez o grupo de estrelas de mais fácil localização seja Ursa Maior. Esta constelação, com estrelas de brilho médio (segunda magnitude) tem o formato de uma panela. Alioth e Dubhe são duas estrelas que podem ser usadas na navegação. O alinhamento de Dubhe e Merak aponta para a estrela Polaris ou Polar, próxima ao Polo Norte Celeste.

Outra constelação do hemisfério Norte é Cygnus, ou Cisne. Apesar do nome, Cisne descreve-se melhor como uma cruz e é popularmente conhecida como a Cruz do Norte. Deneb e Albireo são estrelas desta constelação.

Estas são apenas algumas das estrelas. Para identificar as demais, gaste algum tempo observando o céu com uma carta celeste ou com um dos programas atras indicados. Se tiver dúvida sobre o nome de alguma estrela brilhante, leia a altura com o sextante se tiver um. Gradativamente você vai familiarizar-se com elas. Não é necessário, é claro, conhecer todas as 59 estrelas.

Navegação pelos astros não é nenhum bicho de sete cabeças. Suprimida a parte cansativa dos cálculos e das tabelas, ela pode-se tornar uma atividade bastante agradável e divertida.

Glossário

A seguir estão definidos alguns termos usados neste artigo:

Altura do astro ( H ) – Ângulo vertical formado entre o horizonte e o astro.

Altura calculada ( Hc ) – Altura calculada do astro na posição estimada.

Altura corrigida ( Hcorr ) – Altura resultante da aplicação de correções na Altura instrumental.

Altura instrumental ( Hi ) – Altura obtida na leitura do sextante, antes das correções.

Ângulo Horário em Greenwich (AHG ) – Longitude da Posição Geográfica de um astro.

Ano luz – Medida de distância usada na astronomia. Corresponde à distância percorrida pela luz no vácuo no período de um ano (aproximadamente 9.467.280.000.000 Km). A estrela mais próxima da Terra, Alfa Centauro, fica a 4.3 anos luz. O Sol fica a 8 minutos-luz e a Lua a pouco mais de 1 segundo-luz.

Ascensão Reta (AR) – Ângulo entre o meridiano do ponto vernal e o meridiano do astro, na direção Leste-Oeste. A Ascensão Reta Versa (ARV ou SHA), listada no Almanaque Náutico para as estrelas pode ser calculada pela fórmula ARV = 360° – AR em graus. AR é normalmente expressa em horas.

Azimute do astro (Az) – Ângulo horizontal formado entre o Norte verdadeiro e a direção da Posição Geográfica de um astro. É o rumo verdadeiro da PG do astro.

Crepúsculo civil – Horários antes do nascer e depois do ocaso do Sol, quando este se encontra a uma altura de 6° abaixo do horizonte. São os horários ideais para medida da altura das estrelas e planetas, pois as estrelas e o horizonte estão visíveis ao mesmo tempo.

Correções instrumentais – Correções aplicadas à altura instrumental para obter a altura corrigida. São elas: Erro instrumental, Altura do olho, Refração, Paralaxe da altura e Semidiâmetro do astro.

Declinação (d)– Latitude de um astro na Esfera Celeste.

Distância Zenital – Distância, na superfície da Terra, entre a Posição Geográfica de um astro e o Zênite do observador.

Eclíptica – Trajetória que o Sol, a Lua e os planetas descrevem na Esfera Celeste.

Esfera Celeste – Esfera imaginária que suporta os astros. Esta centrada no centro da Terra e dá uma volta a cada 24 horas.

GMT – (Greenwich Meridian Time) – Horário no meridiano de Greenwich, Inglaterra.

GPS – (Global Positioning System) – Sistema de navegação por satélites baseado em sinais de rádio sincronizados emitidos por satélites. Na versão civil, dá precisão de 0.1 milhas.

Latitude – Distância, medida em graus, a partir do equador terrestre até o paralelo do observador, na direção Norte-Sul. A latitude pode ser N ou S.

Limbo inferior – Corresponde a parte mais baixa do Sol e da Lua. A leitura do sextante usando o Limbo Inferior corresponde à medida obtida fazendo a parte inferior do astro tocar o horizonte.

Linha de Grande Círculo (LGC) – Linha na superfície da Terra contida em um plano que passa pelo centro da Terra. As LGCs são o caminho mais curto entre dois pontos.

Longitude – Ângulo formado entre o meridiano de Greenwich e o meridiano do observador, na direção Leste-Oeste. A longitude pode ser E ou W.

Mercator – Tipo de projeção plana usado em cartas náuticas onde os meridianos são paralelos e 1 milha na direção NS = 1 milha na direção WE.

Passagem meridiana – É o horário em que o astro atinge a altura máxima. No caso do Sol, ela ocorre em torno do meio dia. A passagem meridiana é o horário ideal para obtenção da latitude, pois uma reta de altura obtida neste horário é perpendicular ao meridiano do observador (Latitude constante).

Posição Astronômica (PA) – Posição do navegador. É o resultado que pretendemos determinar pela navegação astronômica.

Posição Geográfica de um astro (PG) – Ponto na superfície da Terra determinado pela reta que passa pelo centro da Terra e centro do Astro.

Waypoint – Destino de um trecho de navegação. É caracterizado por um nome e por uma posição.

Zênite (Z) – Ponto na esfera celeste na vertical sobre o observador. É a posição na esfera celeste corresponde à posição astronômica do navegador.

Conhecendo as constelações

O QUE É CONSTELAÇÃO

Antes da década de 30, as constelações eram definidas como agrupamentos de estrelas na esfera celeste* que, imaginariamente, formavam figuras de personagens como pessoas, animais, objetos ou seres mitológicos. Este conceito passou a ser inconveniente para o progresso científico do século XX.

Em 1930, Eugène J. Delporte propôs um novo conceito de constelação. Este foi adotado pela IAU (International Astronomical Union – União Astronômica Internacional) e continua em vigor até hoje, o qual determina que constelação é a divisão da esfera celeste, geometricamente, em 88 regiões ou partes. De maneira que, olhando para o céu de dentro da esfera celeste, qualquer objeto celeste que estiver na região de uma constelação, além das estrelas da mesma, é considerado parte da constelação. Esse objeto pode não ter qualquer tipo de ligação astrofísica com os outros objetos pertencentes à constelação.

Na realidade, as estrelas e outros constituintes de uma constelação geralmente não têm relação física entre si. Mas tendemos a pensar o contrário. Isto porque quando olhamos para o céu, não temos a percepção das distâncias reais das estrelas a nós, mas apenas uma idéia da disposição delas em relação às outras na esfera celeste. Por isso, temos a impressão de que todas as estrelas, nebulosas, galáxias e outros objetos celestes, estão todas à mesma distância da Terra e próximos entre si.

Na figura abaixo, temos um exemplo de constelação. A linha vermelha ao redor do desenho artístico de uma cruz indica a região que delimita a constelação do Cruzeiro do Sul na esfera celeste. O desenho da cruz está sobre as linhas imaginárias que ligam as principais estrelas da constelação. A diferença no brilho aparente das estrelas é representada no tamanho do desenho delas.

*Esfera Celeste: quando observamos o céu noturno em uma noite estrelada, temos a impressão de estarmos no meio de uma grande esfera ou abóbada (espécie de teto curvo) onde estariam incrustadas as estrelas. Isto inspirou os antigos a chamar o céu de esfera celeste. Hoje essa idéia é usada apenas para simplificar a compreensão do céu, suas regiões e mudança de posição aparente durante o decorrer da noite. Não fazem parte da esfera celeste os planetas, o Sol e a Lua por suas relações mais dinâmicas em relação à Terra.

ORIGEM DAS CONSTELAÇÕES

O ser humano desde a antiguidade possui curiosidade a respeito do céu estrelado. Isto é evidenciado em inscrições e construções antigas. O céu era visto com certo espanto, receio, admiração e respeito. O desconhecimento das causas científicas dos fenômenos astronômicos instigava o ser humano a destinar valores divinos aos astros celestes.

As constelações foram inventadas pelo ser humano. Cada povo e tribo possuíam suas próprias constelações. Às vezes, coincidia que quase o mesmo conjunto de estrelas tinha nome e significado diferentes para povos diferentes. Guardar a forma ou a localização dessas figuras no céu não era um trabalho fácil, e assim, criavam mitos e histórias sobre as constelações.

Com o tempo, os povos perceberam que as constelações podiam ser úteis. Era possível identificar os períodos de caça, agricultura e pesca. Serviam para determinar a passagem do tempo, as estações do ano e o clima. Foram feitos calendários inspirados nos fenômenos celestes (como os períodos lunares e solares). Demarcaram a trajetória do Sol durante o ano usando as constelações que chamaram de Zodíaco (dependendo da posição do Sol no Zodíaco, sabiam-se as condições do clima e as estações do ano).

Atualmente, as constelações não possuem a mesma importância da antiguidade. Mas ainda são úteis para os estudos astronômicos, como por exemplo, indicar direções no Universo e tornar mais fácil a identificação de astros no céu. Existem estrelas que são utilizadas para direcionar equipamentos de navegação espacial, como a Canopus, da constelação Carina, a Formalhaut, do Peixe austral, e Sírius, do Cão maior.

Algumas constelações só podem ser vistas completamente por alguém que se encontra num hemisfério terrestre. Por exemplo, a Ursa Menor, por quem está no Hemisfério Norte, e o Octante, por quem está no Hemisfério Sul.

Das 88 constelações reconhecidas pela União Astronômica Internacional hoje, mais da metade foram descritas primeiramente pelos gregos antigos. Cláudio Ptolomeu (127-145 d.C.), baseando-se provavelmente no catálogo de estrelas do astrônomo grego Hiparco (século II a.C.), atualizou o mesmo e organizou as estrelas em 48 constelações, registradas em seu sétimo e oitavo livro Almagesto. Entre o século XVI e XVII d.C., astrônomos europeus, navegantes e cartógrafos celestes, adicionaram novas constelações às de Ptolomeu, principalmente feitas pelos europeus que primeiro exploraram o Hemisfério Sul: o astrônomo Johannes Hevelius, os holandeses, Frederick de Houtman, Pieter Dirkszoon Keyser e Gerard Mercator, o astrônomo francês Nicolas Louis de Lacaille, e outros.

As 88 constelações ocidentais

Segundo a União Astronômica Internacional, a esfera celeste está dividida em 88 partes. Abaixo, estão seus nomes em latim e sua tradução para o português:

Andromeda, Andrômeda (mit.)

Antlia, Bomba de Ar

Apus, Ave do Paraíso

Aquarius, Aquário

Aquila, Águia

Ara, Altar

Aries, Áries (Carneiro)

Auriga, Cocheiro

Boötes, Pastor

Caelum, Buril de Escultor

Camelopardalis, Girafa

Cancer, Câncer (Caranguejo)

Canes Venatici, Cães de Caça

Canis Major, Cão Maior

Canis Minor, Cão Menor

Capricornus, Capricórnio

Carina, Quilha (do Navio)

Cassiopeia, Cassiopéia (mit.)

Cetus, Baleia

Chamaeleon, Camaleão

Circinus, Compasso

Columba, Pomba

Coma Berenices, Cabeleira

Corona Australis, Coroa Austral

Corona Borealis, Coroa Boreal

Corvus, Corvo

Crater, Taça

Crux, Cruzeiro do Sul

Cygnus, Cisne

Delphinus, Delfim

Dorado, Dourado (Peixe)

Draco, Dragão

Equuleus, Cabeça de Cavalo

Eridanus, Eridano

Fornax, Forno

Gemini, Gêmeos

Grus, Grou (tipo de ave)

Hercules, Hércules

Horologium, Relógio

Hydra, Cobra Fêmea

Hydrus, Cobra Macho

Indus, Índio

Lacerta, Lagarto

Leo, Leão

Leo Minor, Leão Menor

Lepus, Lebre

Libra, Libra (Balança)

Lupus, Lobo

Lynx, Lince

Lyra, Lira

Mensa, Montanha da Mesa

Microscopium, Microscópio

Monoceros, Unicórnio

Musca, Mosca

Norma, Régua

Octans, Octante ou Oitante

Ophiuchus, Caçador de Serpentes

Orion, Órion (Caçador)

Pavo, Pavão

Pegasus, Pégaso (Cavalo Alado)

Perseus, Perseu (mit.)

Phoenix, Fênix

Pictor, Cavalete do Pintor

Pisces, Peixes

Piscis Austrinus, Peixe Austral

Puppis, Popa (do Navio)

Pyxis, Bússola

Reticulum, Retículo

Sagitta, Flecha

Sagittarius, Sagitário

Scorpius, Escorpião

Sculptor, Escultor

Scutum, Escudo

Serpens, Serpente

Sextans, Sextante

Taurus, Touro

Triangulum, Telescópio

Triangulum Australe, Triângulo Austral

Tucana, Tucano

Ursa Major, Ursa Maior

Ursa Minor, Ursa Menor

Vela, Vela (do Navio)

Virgo, Virgem

Volans, Peixe Voador

Vulpecula, Raposa

IDENTIFICANDO ALGUMAS CONSTELAÇÕES

 Das 88 constelações ocidentais, algumas são mais fáceis de identificar no céu noturno por causa de suas estrelas de maior brilho aparente. Uma constelação bastante fácil é a de Órion, cuja sigla é “Ori”. Esta é uma das mais bonitas do céu noturno, e representa a figura mitológica de um caçador ou de um guerreiro gigante em companhia de seus dois cães de caça (representados pelas constelações Cão Maior e Cão Menor).

Na mitologia grega, Órion foi perseguido e ferido mortalmente por um escorpião enviado para matá-lo. Esses dois personagens, Órion e Escorpião, tornaram-se constelações, e foram postos no céu em oposição: quando Órion está se pondo no oeste, Escorpião está nascendo no leste. Mas há outras mitologias, em outras culturas, relacionadas a estes personagens.
         Para encontrar Órion, o observador pode procurar no céu um conjunto de três estrelas próximas de brilho parecido e enfileiradas, conhecidas como “Três Marias” (seus nomes verdadeiros são: Alnilam, Alnitak e Mintaka). Estas fazem parte de Órion, sendo seu cinto ou cinturão. Próximo ao cinturão é possível ver quatro estrelas brilhantes, duas acima e duas abaixo do cinturão, formando uma figura que lembra asas de borboleta.

Há um objeto celeste bem conhecido nesta constelação, que é a Nebulosa de Órion ou M42 / M43. É uma grande nuvem de gás e poeira formadora de estrelas. Encontra-se a cerca de 1500 anos-luz de distância. O telescópio Hubble já detectou cerca de 150 regiões nessa nebulosa onde há formação de estrelas e talvez futuros sistemas estelares com planetas.

Cruzeiro do Sul (Cru)

Esta constelação é importante e famosa no Hemisfério Sul. Apesar de ser pequena, é bem reconhecível por suas estrelas de brilho considerável.

O Cruzeiro do Sul, para os gregos antigos, pertencia à constelação do Centauro. Os navegantes europeus no século XVI transformaram essa parte do Centauro em outra constelação e a chamaram de Cruzeiro do Sul. Por sua vez, o cruzeiro ajudava nas rotas dos navegantes, pois o eixo maior da cruz aponta aproximadamente para o pólo Sul celeste. Basta tomarmos o tamanho do eixo maior da cruz e o prolongarmos em linha reta cerca de quatro vezes e meia.

Um dos objetos celestes interessantes no Cruzeiro do Sul é o Aglomerado Aberto de estrelas chamado Caixa de Jóias ou NGC 4755. Pode ser visto a olho nu, próximo a beta crux, como uma pequena mancha. Tem o nome de Caixa de Jóias, pois nos dá a impressão de estarmos vendo jóias brilhantes ao telescópio.

Escorpião (Sco)

Constelação facilmente reconhecível. Podemos vê-la do lado esquerdo do Cruzeiro do Sul na direção leste. A “cauda” curva, sugerindo uma interrogação de ponta cabeça é muito aparente no céu. Faz parte do zodíaco, e se localiza entre as constelações da Libra e de Sagitário. Na mitologia grega, foi o animal que matou Órion com sua picada.

A estrela de maior brilho aparente desta constelação é a supergigante vermelha Antares, e é centenas de vezes maior que o Sol. É conhecida também como o “coração do Escorpião”.

Cão Maior (CMa)

Cão Maior é a constelação que contém a estrela mais brilhante do céu noturno, Sírius. Para os gregos antigos, este cão era um dos que seguiam o caçador mitológico Órion em suas caçadas. Sírius é bastante semelhante ao Sol em tamanho e luminescência. Está a cerca de 8,7 anos luz de distância.

As histórias sobre os cães de Órion não são de proporções míticas, mas os gregos tinham várias crenças interessantes sobre Sírius, Alpha Canis Majoris. O nome Sírius  talvez tenha vindo do grego, que significa “ardente”. O Ano Novo ateniense começava com o aparecimento desta estrela.

Cão Menor (Cmi)

Representa o menor dos cães de caça de Órion. O único ponto de interesse é a sua alfa, Procyon. O nome significa em grego “antes do cão”, referindo-se ao fato de que esta estrela aparece no céu, do Hemisfério Norte, um pouco antes de Sírius nascer. Está a cerca de 11,4 anos-luz de distância, e está quase tão perto de nós quanto Sírius.

Triângulo Austral (TrA)

“O Triângulo do Sul” é uma constelação que também não é difícil de ser identificada, pois é uma das poucas que possui uma figura óbvia. Localiza-se próximo ao Cruzeiro do Sul e da constelação do Centauro.

Virgem (Vir)

Esta é a segunda maior constelação do céu e a maior do Zodíaco. Virgem possui uma série de antigos mitos e contos. Para os antigos romanos, era a deusa Ceres do crescimento das plantas alimentares e das colheitas, e particularmente do milho.

Alpha Virginis é conhecida como Spica: a orelha “de trigo” que a deusa carrega. Spica é um binário eclipsante azul-branco com um período de pouco mais de quatro dias. A estrela é o dobro do tamanho do Sol, mas com uma luminosidade de cerca de duas mil vezes a do sol. Está a 260 anos-luz de distância.    

Há um aglomerado de galáxias chamado Aglomerado de Virgem. Este aglomerado fica localizado no “ombro” da Virgem. Acima, está representado pelos pequenos círculos vermelhos no alto da figura.

Carina (Car)

Esta constelação não é fácil de identificar no céu. Carina significa a quilha (peça estrutural básica de uma embarcação) do navio mitológico Argo. Fazia parte da figura do Navio mitológico, que representa a nau dos argonautas, e foi dividida em três partes no século XVIII: Carina, Popa e Vela.

Carina é o lar da estrela Canopus (alpha Carinae), a segunda estrela mais brilhante do céu noturno. Localiza-se a cerca de 310 anos-luz de nós.

Hidra (Hya)

Hidra é a maior constelação da esfera celeste. Estende-se por mais de um quarto do céu, passando perto de constelações como, a Balança, o Centauro, o Corvo, a Taça, o Sextante e Câncer.

É difícil de ver no céu, pois suas estrelas em geral têm pouco brilho, e é uma constelação muito extensa. O que mais chama a atenção nesta constelação é a região da cabeça, formada por seis estrelas de brilho modesto.

Na mitologia grega, Hidra era um monstro de muitas cabeças morto por Hércules em um de seus doze trabalhos. Mas no céu é representada como uma cobra d’água de uma só cabeça.

Octante (Oct)

Representa um instrumento náutico chamado de Octante ou Oitante, que serve para dividir um círculo em oito partes, o que facilita a tomada de medidas angulares na astronomia e navegação. A constelação foi criada pelo astrônomo francês Nicolas Louis de Lacaille no século XVI. Ela comemora o Octante, que foi inventado por John Hadley em 1731. 

A maioria das estrelas do Octante tem pouco brilho aparente, incluindo sigma(σ) octantis, a estrela do pólo Sul (que na verdade está a um grau a partir do pólo sul verdadeiro atualmente). Por seu brilho tão ínfimo, é difícil vê-la a olho nu. Por isso, não temos no hemisfério sul uma estrela brilhante para demarcar um local próximo ao pólo assim como a estrela polar Norte, Polaris (Ursa Menor). Mas podemos encontrar o local aproximado do pólo Sul celeste usando a constelação do Cruzeiro do Sul.

Veja a foto abaixo. Esta é uma foto de longa exposição da região do pólo Sul celeste, onde se podem ver os rastros das estrelas no céu indicando suas trajetórias no decorrer do tempo. Percebe-se que não há estrelas de brilho muito grande próximas ao pólo.

                                                  Fonte da foto: www.douglasgalante.com/voar.htm

Constelações do Zodíaco

O Zodíaco é uma faixa do céu limitada por dois paralelos de latitude celeste: um situado a 8º ao norte e o outro a 8º ao sul da Eclíptica (linha central do Zodíaco). Nessa faixa, passam sempre o Sol, a Lua e os planetas.

A Eclíptica é o círculo máximo da Esfera Celeste que representa a trajetória anual do Sol em seu movimento aparente ao redor da Terra. O movimento aparente do Sol é uma consequência do movimento de translação da Terra, que em um ano, descreve sua órbita ao redor do Sol. Este se desloca pela Eclíptica atravessando 13 constelações chamadas de constelações zodiacais, que são: Peixes, Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Ofiúco, Sagitário, Capricórnio e Aquário. Para um observador na Terra, a impressão é de que o planeta está fixo e o Sol, em um ano, realiza uma volta pela Esfera Celeste, percorrendo a Eclíptica.

O Zodíaco possui importância apenas pelo fato de ser sobre ele que estão o Sol, a Lua e os planetas. Na realidade, há 24 constelações localizadas na faixa zodiacal, algumas totalmente inclusas, e outras em somente uma parte. Mas as que são atravessadas pela Eclíptica são 13 constelações.

O Sol permanece em média um mês em cada constelação na Esfera Celeste. No caso de Virgem, onde leva mais tempo, são 44 dias, já em Escorpião, onde passa menos tempo, apenas 07 dias (e daí vai para Ophiuchus, onde passa 18 dias).

A seguir, as constelações do Zodíaco serão apresentadas de acordo com a ordem de passagem do Sol durante o ano, considerando como primeira constelação o Capricórnio (de 19 de janeiro a 15 de fevereiro).

Capricórnio, Capricornus (Cap)

A constelação é antiga, e foi um dos primeiros membros do Zodíaco, sendo a sua menor constelação. Possui estrelas de pouco brilho, e por isso não é fácil de identificá-la no céu. A linha vermelha, atravessando Capricórnio na figura, representa a linha da Eclíptica. Localiza-se entre Aquário e Sagitário. É normalmente traduzida como “A Cabra do Mar” ou “A Cabra-Peixe”, embora o nome signifique, literalmente, com chifres de cabra.

Ascensão reta
Declinação
21 h
-20°
Área total867° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-90°
+60°
Setembro

No mito grego, a constelação do Capricórnio era comumente associada à Amalteia, a cabra mítica que, a mando da titânida Réa, dava de mamar ao menino Zeus escondido na ilha de Creta, para que quando adulto pudesse destronar a seu pai, o titã Cronos.

Na mesma mitologia, representava o deus Pã, que era semelhante a um bode. Pã era muito indeciso, nunca sabia tomar uma decisão depressa. Numa ocasião, os deuses estavam fugindo de um monstro marinho chamado Tifón. Os deuses se disfarçaram para despistar o monstro, mas Pã, em dúvida de qual animal se transformar, quando viu a sombra do monstro aproximar-se, sem conseguir decidir-se, transformou o seu tronco em cabra e as suas pernas num rabo de peixe: ficou transformado num peixe-cabra.

 Aquário (Aqr)

É uma das maiores constelações do Zodíaco, localiza-se entre Capricórnio e Peixes. O Sol passa em Aquário de 16 de fevereiro a 11 de março. Na mitologia grega, representa um jovem, e às vezes um homem velho, derramando água de uma jarra. Era um belo pastor, Ganimedes, de quem Zeus se agradou. Zeus enviou uma águia (há versões que dizem que o próprio Zeus que se transformou) que levou o rapaz para o monte Olimpo, onde serviria como copeiro dos deuses.

 A região do céu em que o Aguadeiro se encontra é conhecida como o Mar ou As Grandes Águas, pela proximidade com outras constelações associadas a criaturas e entes aquáticos, como a Baleia e o Peixes.

Os antigos viam nessas estrelas a figura de um homem vertendo água de uma ânfora. É a constelação símbolo da Era da Aquário, à qual empresta seu nome. No mito grego, também é tida como representação do príncipe troiano Ganímedes. Os antigos astrólogos consideravam que duas estrelas desta constelação (Sadalmelik e Sadalsuud) estavam associadas à boa sorte. Tal associação provavelmente surgiu porque o Sol se encontrava nesta constelação durante a época das chuvas na antiga Mesopotâmia. A região celeste em torno de Aquário é a parte do céu relacionada à água. Muitas das constelações nesta região – incluindo CapricórnioPeixe AustralBaleiaPeixes, o próprio Aquário e, um pouco mais distante, Delfim e Eridano, estão associadas à água.

Ascensão reta
Declinação
23 h
-15°
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-90°
+65°
Outubro
Estrela principal
– Magn. apar.
Sadalsuud (β Aqr)
2.9

Peixes, Piscis (Psc)

Representa dois peixes ligados pelas suas caudas na estrela alpha piscium. Na verdade, o nome da alfa, “Al Rischa”, significa “o cordão”. A constelação é bastante fraca; as estrelas de Peixes são geralmente de quarta magnitude. Localiza-se entre Aquário e Áries. O Sol passa em Peixes de 12 de março a 18 de abril.

Sua importância está em conter o ponto em que o Sol cruza o equador indo em direção ao norte a cada ano, no equinócio de março. Veja na figura abaixo onde a linha de cor vermelha, a Eclíptica, e a de cor azul, o Equador Celeste, se cruzam.

No mito grego, representa Afrodite e seu filho Eros, que se transformaram em peixes e mergulharam no Eufrates para escapar do monstro Tífon.

Ascensão reta
Declinação
1 h
15°
Área total506° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-90°
+65°
10 de Novembro, pelas 21:00
Estrela principal
– Magn. apar.
η Psc
3.6

Áries, Carneiro (Ari)

Seu nome significa carneiro. Situa-se entre Peixes e Touro, e não é muito brilhante. Uma das formas de encontrá-la no céu é localizar as Plêiades (grande aglomerado aberto de estrela na constelação de Touro), pois fica próxima a este aglomerado. O Sol passa em Áries de 19 de abril a 13 de maio

Na mitologia grega, representa o carneiro cujo velocino ou velo de ouro estava num carvalho na Cólquida, costa leste do mar Negro. Jasão e os argonautas fizeram uma viagem para levar o velocino à Grécia.

Ascensão reta
Declinação
3 h
20°
Área total441° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-60°
+90°
Dezembro
Estrela principal
– Magn. apar.
Hamal (α Ari)
2.0

Touro, Taurus (Tau) 

Touro é uma constelação que pode ser encontrada com facilidade. Localiza-se próxima a constelação de Órion. Sua estrela alfa, Aldebaran, é uma estrela gigante vermelha de cor muito visível no céu. Possui o grande e nítido aglomerado aberto de estrelas, Plêiades, conhecido também como Sete Irmãs. Podemos ver seis membros deste aglomerado a olho nu. Dista cerca de 400 anos-luz da Terra. O Sol passa em Touro de 14 de maio a 19 de junho. Há também outros objetos celestes interessantes, mas nem todos são possíveis de ver a olho nu ou com um telescópio pequeno. Um exemplo disso é a Nebulosa do Caranguejo (Veja abaixo). É o resto de uma estrela que explodiu. Foi visivelmente registrada em julho de 1054 por astrônomos chineses e japoneses. Na verdade, teria sido difícil não notar, pois esteve muito brilhante naquela época, o suficiente para ser visto até mesmo durante o dia por quase um mês.

Ascensão reta
Declinação
4 h
15°
Área total797° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-65°
+90°
15 Jan (21h)
Estrela principal
– Magn. apar.
Aldebarã (α Tau)
0,85[1]

Na mitologia grega, o Touro representa o disfarce que Zeus usou para atrair a atenção da princesa da Fenícia chamada Europa. Atravessou o Mediterrâneo a nado levando Europa nas costas até ilha de Creta. No Egipto antigo, os dois aglomerados de estrelas da constelação do Touro, as Híades e as Plêiades, eram associados à chegada das chuvas.[3]

Gêmeos, Gemini (Gem)

Esta é uma constelação identificável com facilidade por suas estrelas mais brilhantes, Castor e Pollux, que representam as cabeças dos gêmeos mitológicos. Localiza-se entre Touro e Câncer. O Sol passa em Gêmeos de 20 de junho a 20 de julho.

Castor (alpha Geminorum) na verdade não é a mais brilhante de Gêmeos, mesmo tendo o nome de alfa. A mais brilhante é a Pollux. Castor está a 52 anos-luz de distância. Não é uma grande estrela em particular, tem cerca de duas vezes o diâmetro do Sol, e é um notável binário. Já Pollux, está a cerca de 34 anos-luz. É consideravelmente maior, com um diâmetro estimado de cerca de dez sóis. Elas estão a 4,5 graus de separação uma da outra, o que ajuda a observadores estimarem distâncias de separação entre outras estrelas no céu.

Ascensão reta
Declinação
7 h
20°
Área total514° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-60°
+90°
20 de fevereiro, pelas 21:00
Estrela principal
– Magn. apar.
Pólux (β Gem)
1,14

O ícone da constelação é ♊ e tem origem no ideograma acadiano correspondente ao mês Kas, quando o Sol entrava em Gemini. Também pode ter vindo do algarismo romano correspondente a dois. A constelação de Gemini representa Castor (α) e Pólux (β), irmãos de Helena de Troia, na mitologia grega.

Certa feita, Zeus havia se apaixonado por Leda, esposa do rei de EspartaTíndaro. Para se aproximar dela, Zeus se transformou em um belo cisne. Dessa paixão foram gerados os gêmeos Castor e Pollux.[1] Os dois tiveram os melhores tutores da época. Castor se transformou num excepcional cavalheiro; o seu irmão Pollux em um verdadeiro guerreiro. Porém, certa vez os irmãos desafiaram dois jovens para um duelo pela mão de duas jovens que já estavam prometidas. Nessa batalha Castor foi morto. Desesperado pela perda do irmão, Pollux tentou matar-se para encontrar o irmão, mas era imortal e não conseguia. O drama foi então imortalizado nos céus, onde os gêmeos aparecem abraçados.

No entanto, existe uma corrente mística que dá à constelação um simbolismo mais rico: os dois rapazes seriam, na verdade, Apolo, brilho e luz, e Hércules, força e coragem. É assim que, em muitos tratados, um dos gêmeos aparece segurando arco, flecha e lira, enquanto o outro aparece com uma clava.

Os egípcios faziam ali a representação do deus Hórus, sendo um o Hórus velho e o outro o Hórus novo.

Existem outros mitos concernentes aos gêmeos, e um deles teria dado origem ao mito do gado de Gerião, que constitui um dos Doze Trabalhos de Hércules.

Câncer, Caranguejo (Cnc)

Câncer, traduzido como caranguejo, é a constelação mais fraca de todas as constelações do Zodíaco. Localiza-se entre Gêmeos e Leão. O Sol passa em Câncer de 21 de julho a 9 de agosto.

Um dos objetos celestes em Câncer é o aglomerado estelar M44 chamado de Presépio (ou Colméia, ou Manjedoura). É possível vê-lo a olho nu como um ponto difuso, e fica bonito pelo binóculo.  Exo planetas: A estrela binária 55 Cancri possui um sistema planetário com cinco planetas confirmados. Em 1996 foi descoberto o primeiro planeta em torno dessa estrela, um joviano com 0,84 vezes a massa de Júpiter. O mais recente, descoberto em 2007, também é joviano e tem 0,14 a massa de Júpiter.

Ascensão reta
Declinação
9 h
20°
Área total506° quadrado
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-60°
+90°
20 de Fevereiro, pelas 21:00
Estrela principal
– Magn. apar.
Al Tarf (β Cnc)
3.5

Na mitologia grega, o caranguejo atacou Hércules durante a sua luta com a Hidra, mas foi esmagado pelo pé do herói.

Leão (Leo)

É uma constelação onde a figura lembra realmente um leão. Localiza-se entre Câncer e Virgem. O Sol passa nesta constelação de 10 de agosto a 15 de setembro. Alpha leonis é chamada de “Regulus”, e era vista como “Guardião do Céu”. O nome de Regulus foi dado por Copérnico, mas a estrela era mais conhecida na antiguidade como “Cor Leonis”, “Coração de Leão”. Regulus é um binário múltiplo. Localiza-se tão próxima à Eclíptica, que a Lua muitas vezes passa perto, e até oculta a estrela em raras ocasiões.

Ascensão reta
Declinação
11 h
+15°
Área total947° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-65°
+90°
15 de abril (21:00)
Estrela principal
– Magn. apar.
Regulus (α Leo)
1,35

Na mitologia grega o Leão da Nemeia (Leão do tamanho de um elefante e couro tão resistente quanto de um crocodilo) que devastava a região e o povo não conseguia matar,[2] foi estrangulado por Hércules no 1.º de seus 12 trabalhos. Acabada a luta, este arrancou a pele do animal com as suas próprias mãos e passou a utilizá-la como vestuário. Assim, Hera rainha dos deuses, que odiava Hércules por ser filho de seu marido com outra mulher, converteu o Leão um dos mais poderosos inimigos de Hércules na constelação de leão.

Virgem, Virgo (Vir)

O Sol passa em Virgem de 16 de setembro a 30 de outubro.

Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-65°
+90°
15 de abril (21:00)
Estrela principal
– Magn. apar.
Regulus (α Leo)
1,35
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-80°
+80°
25 de Maio, pelas 21:00
Estrela principal
– Magn. apar.
Spica (α Vir)
1.0
  

Uma das identidades mitológicas da Virgem é Têmis, deusa da justiça, que, desgostosa com o comportamento humano, ascendeu aos céus. Em outras versões é identificada com Astreia, filha de Zeus e Têmis, que viveu entre os homens durante a Idade de Ouro. Com a decadência da humanidade, retirou-se para os céus onde foi transformada na constelação da Virgem. Um de seus atributos era a balança, daí a proximidade de sua constelação com a constelação zodiacal da Libra.[3].

Libra, Balança (Lib)

Libra significa balança. Está localizada entre Virgem e Escorpião. Representa a balança da justiça segurada por Virgem. O Sol passa em Libra de 31 de outubro a 22 de novembro.

Ascensão reta
Declinação
15 h
-15°
Área total538° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-90°
+65°
20 de Junho, pelas 21:00
Estrela principal
– Magn. apar.
Zubeneschamali (β Lib)
2.6

Para os gregos antigos, esta constelação fazia parte do Escorpião sendo suas garras. Por isso, suas duas estrelas mais brilhantes, ainda chamadas de Zubenelgenubi (alfa librae), veja seta vermelha na figura acima, e Zubeneschamali (beta librae), seta alaranjada na figura acima, significam “garra do sul” e “garra do norte”, respectivamente.

Escorpião, Scorpius (Sco)

O Sol passa em Escorpião de 23 de novembro a 29 de novembro.

Ascensão reta
Declinação
17 h
-40°
Área total497° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-90°
+40°
20 de Julho pelas 21:00
Estrela principal
– Magn. apar.
Antares (α Sco)
0,96

A constelação de Escorpião é facilmente visualizada nas noites de inverno no hemisfério sul (ou de verão do hemisfério norte); e encontra-se a maior parte do tempo ofuscada pelo Sol nos meses de verão no hemisfério sul. Por volta de novembro o Sol encontra-se sobre esta constelação.

Sagitário, Sagittarius, Arqueiro (Sgr)

O nome Sagitário deriva da palavra em latim sagitta que significa seta. Foram os romanos que deram o nome à constelação de Sagitário. É uma brilhante constelação do Zodíaco, entre Escorpião e Capricórnio. Tem como característica um padrão de estrelas que lembra o formato de um bule. Localiza-se próxima a região do céu onde está situada a direção do centro da nossa galáxia, Via Láctea. O Sol passa em Sagitário de 18 de dezembro a 18 de janeiro.

Ascensão reta
Declinação
19 h
-25°
Área total867° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-90°
+55°
20 de Agosto, pelas 21:00
Estrela principal
– Magn. apar.
Kaus Australis (ε Sgr)
1.9

No mito grego, o Sagitário está relacionado com Quíron, um centauro diferente dos demais de sua raça por ser extremamente educado, tutor de vários heróis gregos e doutor em diversas ciências e ofícios.

 Ofiúco, Ophiuchus, Serpentário (Oph)

Ofiúco, ou serpentário, é uma constelação distribuída sobre o equador celeste. Representa um homem segurando uma serpente. A cabeça de Ofiúco fica próxima da constelação de Hércules, e seus pés sobre a constelação do Escorpião. Embora seja uma constelação em que o Sol passe de 30 de novembro a 17 de dezembro, ela não faz parte do zodíaco. Mas vale citá-la aqui. A linha vermelha na figura abaixo é a linha da Eclíptica. RS Ophiuchi, uma estrela muito fraca, é parte de uma classe incomum conhecida como “novas recorrentes”, cujo brilho aumenta em intervalos irregulares, centenas de vezes em poucos dias; a Estrela de Barnard, a quinta estrela mais próxima do Sol, também está nesta constelação. Outro sistema estelar que faz parte da constelação é o 36 Ophiuchi.

Ascensão reta
Declinação
17 h
Área total948° quadrados
Visibilidade
– Latitude mínima
– Latitude máxima
– Meridiano
 
-80°
+80°
25 de Julho, às 21h
Estrela principal
– Magn. apar.
Rasalhague (α Oph)
2.1

Na mitologia grega, Ofiúco era tido como o deus grego da medicina chamado de Esculápio. Ele ressuscitava os mortos. Hades, deus do Inferno, temendo que isto o atrapalhasse em seu comércio de almas mortas, pediu a Zeus que matasse Esculápio com um raio. Zeus pôs Esculápio entre as estrelas, onde é visto segurando uma serpente, símbolo da cura.

Eclíptica

Astrometria

Em astronomiaeclíptica é a projeção sobre a esfera celeste da trajectória aparente do Sol observada a partir da Terra. A razão do nome provém do facto de que os eclipses somente são possíveis quando a Lua está muito próxima do plano que contém a eclíptica. O eixo eclíptico, por sua vez, é a recta perpendicular à eclíptica que passa pelo centro da Terra.

Obliquidade

Esfera Celeste.

plano que contém a eclíptica possui uma obliquidade (inclinação) em relação ao plano que contém o equador celeste de aproximadamente 23° 27′. As forças gravitacionais da Lua e do Sol produzem um torque sobre a Terra, cujo efeito é gerar um movimento de precessão do eixo de rotação da Terra ao redor do eixo eclíptico, esse movimento é conhecido como a precessão dos equinócios.[2]

Eratóstenes

É creditado a Eratóstenes, a primeira medida da obliquidade da eclíptica, sendo que o valor por ele obtido foi de 23° 51′ 20″.[3][4]

Eratóstenes também é conhecido pela determinação da circunferência da Terra, através de medições que o levaram a calcular a distância em graus entre as cidades de Alexandria e Siena como sendo de 7,2° ou 1/50 de 360°. Como a distância entre as cidades era de aproximadamente 800 km, a circunferência da Terra deveria ser de aproximadamente 40.000 km.[5]

Sistema Solar

As órbitas dos planetas do sistema solar estão muito próximas da eclíptica, em uma região de 18° centrada na eclíptica, conhecida como zodíaco.[6] Isto é coerente com a teoria de que o Sistema Solar foi formado a partir de um disco de matéria que se condensou em torno do Sol que se formava.


Posted

in

by

Tags:

Comments

Uma resposta a “Astronomia (noções)”

  1. Avatar de hamiltonjadelyn

    wow!! 64Saúde Mental dos Portugueses

    Gostar

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.