Vamos fazer cera em casa
Não há muitos anos e ainda hoje em algumas zonas de cidades e vilas, com núcleos urbanos mais antigos, os pavimentos eram, (são) constituídos por madeiras sobre a forma de tabuas, ao conjunto dessas madeiras em pavimentos dava-se e dá-se a designação de soalho ou gíria da construção solho, daí a designação de casas assoalhadas, na maioria hoje, nas construções com cerca de 70 anos a esta parte, aproximadamente, ou as mais recentes continua-se a usar o temo, mas os solhos já lá não estão. Ora para este tipo de pavimentos havia toda a necessidade de preservação, daí a utilização de ceras que seriam aplicadas conforme a utilização, a necessidade de preservação e o gosto de cada um. Também era preocupação o tipo de solho e a nobreza do espaço:
Soalho, assoalhado simples tabua justaposta sem junta especial, utilizado em sobrados de utilização modesta como saguões, e celeiros, poucas vezes viam cera e atualmente usado para cofragem de pavimentos de betão armado.
Soalho ou assoalhado com junta de chanfro, praticamente com os mesmo tipo de utilização, mas tinham a vantagem de não deixarem passar a luz pelas juntas, o que com o tempo acabava por acontecer no anterior, para a execução era muitas vezes aproveitadas tabuas de costaneiro (princípio e fim do tronco, no corte).
Soalho “a portuguesa” ou de meio fio, de utilização corrente nas construções antigas em Portugal e que apresentavam um aspecto mais elaborado e maior fiabilidade das juntas, mas onde se viam pregos.
Soalho “a inglesa” o de meio fio a dois fios, tradicionalmente feito com tabuas com a largura de 8cm, sendo mais tarde, provavelmente por razões económicas, diversificado nas larguras que poderiam variar entre os 7 e os 10cm. Tinham a particularidade de esconder os pregos sendo um dos meios fios fêmea e o outro macho pelo que encaixavam perfeitamente lado a lado podendo esconder os pregos. No nosso país utilizando-se madeiras nacionais, basicamente a de pinheiro, manteve-se largura do solho nos 20 ou 22cm.
Pelo que descrevi atrás os dois primeiros raramente receberiam cera, esta estava reservada para os dois últimos um por necessidade imperiosa de manutenção o outro para manutenção e embelezamento. Assim podem-se fazer vários tipos de ceras com cores e aromas diversos, embora as utilizações sejam específicas. Mas passemos às receitas:
Cera Alemã
Utilizada para a preparação de moveis antes do acabamento final
2Kg de cera (cera de abelha par uso industrial)
4l de petróleo
Água raz (na quantidade necessária à obtenção da consistência desejada)
Cera Amarela (vulgar)
Para utilização corrente e nas 1as aplicações
0.750Kg de Carnaúba
2.Kg de parafina
0.300Kg de cera de abelha
10gr de corante
4l de petróleo
Água raz (na quantidade necessária à obtenção da consistência desejada)
Cera de Verão
Como o nome diz para aplicar no Verão, na reposição do encerado anterior
0.200Kg de cera de abelha
0.200Kg de cera amarela
1.8Kg de parafina
0.650Kg de carnaúba
0.100Kg de pez loiro
10gr de corante
4l de petróleo
Água raz (na quantidade necessária à obtenção da consistência necessária)
Cera de Alfazema
Aplicar depois de um 1º encerado
1.650Kg de parafina
0.200Kg de cera de abelha
50gr de carnaúba
50gr de essência de alfazema
2 a 5gr de corante violeta (intensidade da cor a gosto)
Água raz (na quantidade necessária à obtenção da consistência necessária)
Penso que a maior parte destes ingredientes ainda se encontra no mercado principalmente naquelas drogarias tradicionais, se não fecharam todas. No entanto, se tiverem a veleidade de executar alguma destas receitas, o façam em recinto abrigado mas aberto, utilizando ou uma panela, nunca um tacho, que não seja de alumínio. Par começar põe-se a parafina, a cera, o petróleo a carnaúba ao lume, e assim que estiverem líquidos acrescentam o restante excepto a agua raz que nunca vai ao lume para as essências e corrante devem ser adicionados numa fase final mexendo bem par homogeneizar a mistura, Deixar arrefecer e verificar consistência, adicionar agua raz a gosto.
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